segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Eis algo para se pensar na solidão da noite

E se a saudade matasse?

Eu estaria sete palmos distante da vida.

Não haveria antídoto certo, nem soro, muito menos comprimido ou xarope que me recuperasse. Nem macumba para me reviver. 

Na despedida, um blues nostálgico, ou talvez um clássico francês. Violetas e tulipas, suco de uva e risoto.

No Paraíso, seja lá o que ele for, eu seria conhecida como aquela, aquelazinha, pobre coitada, desolada, a saudosa. Haveria morte mais morrida?! 

Mas, afinal, se a saudade matasse, meu Deus, quem de nós restaria neste mundo? Nem uma alminha, eu diria, já que a saudade consome ela toda.

Mas, afinal, estou mesmo vivendo? E então surge um debate filosófico, metafísico, transcendental. Isso é mesmo vida? Pois bem, não sei. Talvez nunca saiba. Mas quando é saudade, não parece vida. 

E nada disso de saudade valer a pena. Acho absurdo quando assim dizem. Negócio mesmo é estar junto.

Se saudade matasse, então, já teria partido há tanto...

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Que é ter?

Ter teu amor é ter o mundo.

Por isso, me sinto 
Uma cosmopolita imortal
Embarcando
Partindo
Translando; sem rumo.

Já que não preciso de rumo 
Ter teu amor é ter o mundo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Não sei, não quero saber, só sei que era pra ser; e é

A espera é longa, mas quando é certo, acontece. Sabe?!

Eu sei.

E é louco. É mesmo. Até não parece realidade. Parece aqueles sonhos eternos; não só eternos, mas constantes. Cotidianos. Não só sonhos não controlados; sonhos que distanciam os olhos, a mente, o mundo, enquanto é dia, na viagem de ônibus, durante a refeição. Mas não é sonho, não.

É mesmo.

E é louco.

Mas louco, assim... Louco bom. Louco bom demais. Tão louco que faz a alma arder em conforto.

É verdade, realidade, dá pra tocar e também dá pra sentir, ali, no fundo na mente. Existe. É até meio eletromagnético.

E é louco.

Mas louco, assim... Louco bom.

Louco

bom

demais.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Dá um help, Sandman

(A esperança de deitar e instantaneamente pregar os olhos com Super Bonder: em vão.)

O travesseiro fagocita a cabeça e fica mais quente. A atmosfera é leve, ali: entre cobertas, o corpo adormece, a alma contrai. A consciência se distancia e o dia ali acaba.

Ops. Não. Por algum motivo, não mereço esse prazer. O que pareceu uma hora foram apenas sete minutos.

Sandman me enrolou. Não dormi coisa nenhuma.

Toda posição é desconfortável. Toda sombra é alma penada, todo ruído é motivo de conferir a solidão. O travesseiro engoliu meu cérebro. A atmosfera parece ter, puramente, monóxido de carbono.

Nunca mais cochilo à tarde.

Preciso dormir preciso dormir preciso dormir preciso DORMI.

O que pareceu uma hora foram apenas doze minutos.

A posição me deu dor no pescoço, então mudemos. Calor do cão. Por que a cortina bate? Fome. Preciso cortar as unhas.

Nunca mais cochilo à tarde.

Preciso dormir preciso dormir preciso dormir preciso DORMI.

O que pareceu uma hora foram apenas vinte e quatro minutos.

Ah, Deus, não vou conseguir dormir e preciso acordar cedo. Meu Deus, me deixa dormir. Por favor. Nunca mais cochilo à tarde. Por favor.

De tanto implorar, passo uma hora acordada: preciso dormir preciso dormir preciso dormir preciso DORMI. Mas dormi mesmo. Mesmo, mesmo.

O que pareceu sete minutos foram na verdade 5 horas.

Preciso dormir preciso dormir preciso dormir preciso DESPERTADOR: AULA EM 1h30.

Sério?

Tá. Tudo bem. Não tem problema.

Eu dou um cochilo à tarde.

domingo, 9 de março de 2014

Como diria Sócrates nas aulas de Filosofia

É tão frustrante não saber de tudo.

Certo, sei que é impossível. Não há aquele que saiba de tudo.

Existem os sábios, aqueles que de muito sabem sobre muito, mas não sabem de tudo. Existem os gênios, aqueles que sabem muito sobre algo, mas não sabem de tudo.

Quais são aqueles que sabem de tudo? É o problema. Não são. Não existem aqueles que sabem de tudo.

O quão frustrante é essa situação? São tantas as perguntas para as quais se devem respostas, mas ninguém para respondê-las. 

Seria bem mais fácil se houvesse um indivíduo, qualquer um, para quem pudéssemos simplesmente ligar a qualquer hora e perguntar qualquer coisa. Um indivíduo conhecido como Provido de Conhecimento. "Ei, Provido, de onde viemos?" E ele daria a resposta, precisa e claramente. E acabaria o sofrimento.

Mas não. Provido é inexistente.

Diante das diversas questões para as quais não existem explicações, percebemos que somos um tanto quanto insignificantes. Há um mundo imenso lá fora, ao nosso redor e até mesmo dentro de nós. Um mundo imenso para ser descoberto, revelado, estudado, demonstrado. Um mundo até agora incompreendido. 

É frustrante não poder voltar no passado e confirmar fatos históricos, acompanhar experiências de grandes cientistas, ser testemunha da existência de um Deus ou do processo de evolucionismo biológico. 

Também é frustrante não poder ir para frente, no futuro, e saber do apocalipse e de coisas bem mais simples, como se serei rica ou pobre, feliz ou infeliz, se morrerei com arrependimentos ou completamente realizada. 

Mas uma coisa é certa: ter certeza sobre tudo não deve ser muito bom. A graça de viver é não saber como surgimos e como iremos desaparecer. Não ter conhecimento sobre tudo nos faz ser metade gente; nossas indagações completam a metade. Afinal, isso é ser humano: ser um indagador ignorante.

Além do mais, se de tudo eu soubesse, este texto não existiria. O meu desconhecimento é o gerador de minha criatividade.

Só sei que nada sei. Mas não sei se isso é legal ou não. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Tem cura?

Bloqueio criativo é a maior porcaria da vida.

Está tudo lá, armazenado, programado. Há algo a ser dito batucando lá dentro, mas na hora de pôr em prática e expor as ideias lúcidas da mente... O maior branco. E, caso se consiga passar alguma coisa para o papel, este acaba sendo mandado para o lixo – o triste destino dos escritores criativos, porém inseguros. 

"Não presta. Não está bom. Esta não sou eu."

Angustiante e frustante, é algo que sufoca, tortura; algo que faz afundar no mar de ideias e pensamentos, mas mesmo assim não permite emergir ou se afogar.

Estou me forçando para não fechar este arquivo assim, inacabado, e esquecer que uma vez o abri.

Bloqueio criativo é a maior porcaria da vida.

Tem remédio contra isso?

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Pros and cons

Sou uma daquelas que guardam num arquivo mental tudo o que todos dizem. Se você me disse há dois anos que não gosta da culinária japonesa e hoje aparece comendo sushi com uma expressão de prazer imenso, eu vou lembrar do que me disse e supor que você mudou de opinião.

Entendam, eu escuto sim tudo o que dizem a mim, embora pareça que não me importo com metade do que falam, afinal, só respondo à última frase. Mas não se preocupe: tudo entra para o meu arquivo mental. Eu entendi que você comprou uma loja de roupas inteira no final de semana, mas preferi só responder ao "que horas são?".

Os conselhos generosos, as ações altruístas, os diálogos divertidos, as narrações envolventes, os interesses em comum. Tudo armazenado no meu arquivo mental. Tudo; inclusive os comentários de mal gosto, os olhares cínicos, as manias irritantes, o sentimento visível de superioridade e as discussões infantis.

Baseada no histórico do meu arquivo mental, elaboro uma daquelas listas de prós e contras para cada um com quem convivo. Com a lista, sei se posso falar barbaridades sobre alguém sem me sentir culpada. Também sei se posso oferecer chiclete a alguém porque esse alguém merece chiclete.

Não são muitos os que o merecem. Devo admitir que meu arquivo mental é bastante seletivo.