E se a saudade matasse?
Eu estaria sete palmos distante da vida.
Não haveria antídoto certo, nem soro, muito menos comprimido ou xarope que me recuperasse. Nem macumba para me reviver.
Na despedida, um blues nostálgico, ou talvez um clássico francês. Violetas e tulipas, suco de uva e risoto.
No Paraíso, seja lá o que ele for, eu seria conhecida como aquela, aquelazinha, pobre coitada, desolada, a saudosa. Haveria morte mais morrida?!
Mas, afinal, se a saudade matasse, meu Deus, quem de nós restaria neste mundo? Nem uma alminha, eu diria, já que a saudade consome ela toda.
Mas, afinal, estou mesmo vivendo? E então surge um debate filosófico, metafísico, transcendental. Isso é mesmo vida? Pois bem, não sei. Talvez nunca saiba. Mas quando é saudade, não parece vida.
E nada disso de saudade valer a pena. Acho absurdo quando assim dizem. Negócio mesmo é estar junto.
Se saudade matasse, então, já teria partido há tanto...