Sou uma daquelas que guardam num arquivo mental tudo o que todos dizem. Se você me disse há dois anos que não gosta da culinária japonesa e hoje aparece comendo sushi com uma expressão de prazer imenso, eu vou lembrar do que me disse e supor que você mudou de opinião.
Entendam, eu escuto sim tudo o que dizem a mim, embora pareça que não me importo com metade do que falam, afinal, só respondo à última frase. Mas não se preocupe: tudo entra para o meu arquivo mental. Eu entendi que você comprou uma loja de roupas inteira no final de semana, mas preferi só responder ao "que horas são?".
Os conselhos generosos, as ações altruístas, os diálogos divertidos, as narrações envolventes, os interesses em comum. Tudo armazenado no meu arquivo mental. Tudo; inclusive os comentários de mal gosto, os olhares cínicos, as manias irritantes, o sentimento visível de superioridade e as discussões infantis.
Baseada no histórico do meu arquivo mental, elaboro uma daquelas listas de prós e contras para cada um com quem convivo. Com a lista, sei se posso falar barbaridades sobre alguém sem me sentir culpada. Também sei se posso oferecer chiclete a alguém porque esse alguém merece chiclete.
Não são muitos os que o merecem. Devo admitir que meu arquivo mental é bastante seletivo.
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