sábado, 23 de novembro de 2013

Faz o dia, alegria!

Reclamamos tanto, já repararam? De tudo, o tempo todo. Reclamamos do calor, reclamamos do frio, reclamamos do trânsito complicado e do dia que não termina. Reclamamos do bife que está duro, reclamamos do atendimento da loja, reclamamos do volume do cabelo e também da unha que quebrou. Ninguém para e pensa nas coisas boas, naquelas mínimas. Aquelas bobeiras que fazem surgir um súbito aceleramento cardíaco porque você, por um segundinho só, sentiu-se mais feliz, sem nenhuma razão significativa.

Quando estou andando na rua, fico feliz quando piso numa tampa de ferro fundido na calçada e escuto aquela zoadinha metálica. Também me sinto alegre quando vejo um casal de velhinhos andando juntos, não necessariamente de mãos dadas ou algo do tipo; só de escutar um pouco da conversa e perceber que estão falando da conta de luz, eu juro que me sinto melhor, não importando se estava mal ou já feliz antes.

Amo chegar em casa em domingo que a mãe faz feira e perceber que, em cima da minha cama, descansa um pacote de chocolate. Também me sinto nas nuvens quando alguém simplesmente fala: "ouvi tal música ontem e me lembrei de tu".

Quando estou no caminho para o aeroporto, adoro prever como será o voo, enquanto ouço alguma música que parece de aventura. Tento adivinhar qual será o lanche do avião e a temperatura no lugar para onde estou indo. Bem, o lanche é sempre o mesmo: um pacotinho de amendoins. Mas tudo bem. Ainda assim me sinto feliz enquanto imagino.

E, meu Deus, como eu amo cheiro de livro. Acho que isso é um amor universal, na verdade. Mas bem; eu posso estar quebrada e lisa, voando pelos ares, até mesmo sem condições de abrir a carteira e soprar a poeira, mas se eu puder entrar numa livraria apenas para cheirar livros, sem passar a possuí-los em seguida, acredite: eu vou.

E sabe quando você quer atravessar a rua onde há faixa de pedestre, mas não há sinal de trânsito, e você fica plantado ali, na calçada, por minutos, esperando uma boa alma motorista deixar você atravessar? Ah, aquele sol ardente, palpitante, que ensopa e faz coçar; alguém poderia ter piedade, pelo amor de Cristo? E alguém tem. Dá aquela buzinada e abanadinha com a mão, e você percebe que se houvesse contato verbal, aquele lhe diria: "vá em frente, amigo!". E você vai, destemido, a mão sinalizando aquele "legal" com o polegar. "Valeu aí, amigo!"

Essas são coisas mínimas, frações imperceptíveis do dia-a-dia; aquelas de que, na hora de deitar para dormir e recapitular a vida, você simplesmente não recorda. Mas isso não é ruim. Acho que o que torna essas coisinhas especiais é justamente a curta duração. É só um pico do coração, uma vontade de sair pinotando e esbanjando alegria. Depois de cinco segundos você pensa: "nossa, por que eu estava tão feliz? Que dia insuportável". Mas faz parte. Por isso são chamadas as pequenas alegrias da vida.