(A esperança de deitar e instantaneamente pregar os olhos com Super Bonder: em vão.)
O travesseiro fagocita a cabeça e fica mais quente. A atmosfera é leve, ali: entre cobertas, o corpo adormece, a alma contrai. A consciência se distancia e o dia ali acaba.
Ops. Não. Por algum motivo, não mereço esse prazer. O que pareceu uma hora foram apenas sete minutos.
Sandman me enrolou. Não dormi coisa nenhuma.
Toda posição é desconfortável. Toda sombra é alma penada, todo ruído é motivo de conferir a solidão. O travesseiro engoliu meu cérebro. A atmosfera parece ter, puramente, monóxido de carbono.
Nunca mais cochilo à tarde.
Preciso dormir preciso dormir preciso dormir preciso DORMI.
O que pareceu uma hora foram apenas doze minutos.
A posição me deu dor no pescoço, então mudemos. Calor do cão. Por que a cortina bate? Fome. Preciso cortar as unhas.
Nunca mais cochilo à tarde.
Preciso dormir preciso dormir preciso dormir preciso DORMI.
O que pareceu uma hora foram apenas vinte e quatro minutos.
Ah, Deus, não vou conseguir dormir e preciso acordar cedo. Meu Deus, me deixa dormir. Por favor. Nunca mais cochilo à tarde. Por favor.
De tanto implorar, passo uma hora acordada: preciso dormir preciso dormir preciso dormir preciso DORMI. Mas dormi mesmo. Mesmo, mesmo.
O que pareceu sete minutos foram na verdade 5 horas.
Preciso dormir preciso dormir preciso dormir preciso DESPERTADOR: AULA EM 1h30.
Sério?
Tá. Tudo bem. Não tem problema.
Eu dou um cochilo à tarde.