sexta-feira, 2 de maio de 2014

Dá um help, Sandman

(A esperança de deitar e instantaneamente pregar os olhos com Super Bonder: em vão.)

O travesseiro fagocita a cabeça e fica mais quente. A atmosfera é leve, ali: entre cobertas, o corpo adormece, a alma contrai. A consciência se distancia e o dia ali acaba.

Ops. Não. Por algum motivo, não mereço esse prazer. O que pareceu uma hora foram apenas sete minutos.

Sandman me enrolou. Não dormi coisa nenhuma.

Toda posição é desconfortável. Toda sombra é alma penada, todo ruído é motivo de conferir a solidão. O travesseiro engoliu meu cérebro. A atmosfera parece ter, puramente, monóxido de carbono.

Nunca mais cochilo à tarde.

Preciso dormir preciso dormir preciso dormir preciso DORMI.

O que pareceu uma hora foram apenas doze minutos.

A posição me deu dor no pescoço, então mudemos. Calor do cão. Por que a cortina bate? Fome. Preciso cortar as unhas.

Nunca mais cochilo à tarde.

Preciso dormir preciso dormir preciso dormir preciso DORMI.

O que pareceu uma hora foram apenas vinte e quatro minutos.

Ah, Deus, não vou conseguir dormir e preciso acordar cedo. Meu Deus, me deixa dormir. Por favor. Nunca mais cochilo à tarde. Por favor.

De tanto implorar, passo uma hora acordada: preciso dormir preciso dormir preciso dormir preciso DORMI. Mas dormi mesmo. Mesmo, mesmo.

O que pareceu sete minutos foram na verdade 5 horas.

Preciso dormir preciso dormir preciso dormir preciso DESPERTADOR: AULA EM 1h30.

Sério?

Tá. Tudo bem. Não tem problema.

Eu dou um cochilo à tarde.