É tão frustrante não saber de tudo.
Certo, sei que é impossível. Não há aquele que saiba de tudo.
Existem os sábios, aqueles que de muito sabem sobre muito, mas não sabem de tudo. Existem os gênios, aqueles que sabem muito sobre algo, mas não sabem de tudo.
Quais são aqueles que sabem de tudo? É o problema. Não são. Não existem aqueles que sabem de tudo.
O quão frustrante é essa situação? São tantas as perguntas para as quais se devem respostas, mas ninguém para respondê-las.
Seria bem mais fácil se houvesse um indivíduo, qualquer um, para quem pudéssemos simplesmente ligar a qualquer hora e perguntar qualquer coisa. Um indivíduo conhecido como Provido de Conhecimento. "Ei, Provido, de onde viemos?" E ele daria a resposta, precisa e claramente. E acabaria o sofrimento.
Mas não. Provido é inexistente.
Diante das diversas questões para as quais não existem explicações, percebemos que somos um tanto quanto insignificantes. Há um mundo imenso lá fora, ao nosso redor e até mesmo dentro de nós. Um mundo imenso para ser descoberto, revelado, estudado, demonstrado. Um mundo até agora incompreendido.
É frustrante não poder voltar no passado e confirmar fatos históricos, acompanhar experiências de grandes cientistas, ser testemunha da existência de um Deus ou do processo de evolucionismo biológico.
Também é frustrante não poder ir para frente, no futuro, e saber do apocalipse e de coisas bem mais simples, como se serei rica ou pobre, feliz ou infeliz, se morrerei com arrependimentos ou completamente realizada.
Mas uma coisa é certa: ter certeza sobre tudo não deve ser muito bom. A graça de viver é não saber como surgimos e como iremos desaparecer. Não ter conhecimento sobre tudo nos faz ser metade gente; nossas indagações completam a metade. Afinal, isso é ser humano: ser um indagador ignorante.
Além do mais, se de tudo eu soubesse, este texto não existiria. O meu desconhecimento é o gerador de minha criatividade.
Só sei que nada sei. Mas não sei se isso é legal ou não.
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