sábado, 27 de julho de 2013

The Irish luck

Sentada sozinha, completamente deslocada, na mão uma lata de Coca-Cola com muito gás e há muito quente; um gole e meu cérebro derrete. Na boca, gosto de queijo cheddar. Nada mal. Nada mal mesmo. Ainda melhor porque lembro que num bolso da minha mochila há um Twix Xtra esperando por mim.

O sol me queima, mas isso não deveria acontecer. Não na Europa. Por baixo das roupas, tudo coça. Estou pingando. Não, cadê o frio que me foi prometido? Pelo amor de Deus. E eu andando por aí com esse casaco triste de grosso enquanto as menininhas europeias amarram as blusas embaixo dos peitos e dobram os shorts até mostrar a polpa das bundas. Tudo errado e errado mesmo.

Meu Deus, que mazela. Mexer no celular não adianta, ninguém vai me ligar se todo mundo está dormindo lá do outro lado do oceano. E aqui não tem wi-fi. Aqui é a beira do rio. Não tem necessidade pra wi-fi. Ah, desgraça.

Por isso que meto meu livro de 500 e lá vai porrada páginas nessa mochila todo dia. Com gosto de cheddar, cérebro derretido e, uau, tanto sol que o Twix também derreteu, e um monte de gente estranha do lado falando inglês, espanhol, francês, alemão, que língua é essa?, árabe, mandarim, ninguém me entende. Não dá pra chegar em ninguém e falar “ei, meu chocolate derreteu e aqui não tem wi-fi”. Então vamos ler um livro de 500 e lá vai porrada páginas, As Crônicas de Gelo e Fogo – A Guerra dos Tronos, no qual a cada capítulo alguém fala “winter’s coming” e eu realmente sinto inveja.

Acabo dormindo no banco com gosto de biscoito, caramelo e chocolate na boca e os dedos melados de Twix derretido.

P.S. Relendo este texto, sete meses depois, percebo: cruzes, como era fútil.

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