Esta é a história de
como
eu
o
queria.
Era uma vez
(ou duas,
ou três)
em que o queria tanto que chorei.
Mas chorar não é nada, não. Todo mundo chora.
Sendo que eu não chorei chorei. Sim, eu também chorei. Mas, além de só chorar, eu chorei por dentro. A minha alma derreteu
uma vez,
ou duas,
ou três,
porque eu o queria. E queria a ponto de minha alma derreter trocentas vezes. Por dia.
Durante vários dias.
Vários trinta dias.
E continuou derretendo trocentas vezes, mesmo que eu me debatesse e dissesse: "Alma. Por favor. Eu não aguento esse calor
e esse ardor
e esse amor;
é um terror."
Me ignorou.
E continuei a derreter. E continuei a chorar trocentas vezes, mesmo que parecesse firme. Eu não estava.
E o pior de tudo, de tudo que podia ser pior entre todos os piores tudos, era o meu não saber sobre um detalhe,
detalhezinho,
que faria toda a diferença: dentro dele, aonde minha alma queria chegar, havia uma alma tão derretida quanto a minha.
Então, finalmente, foi uma vez,
não duas,
não três,
mas uma,
em que finalmente descobri que ele também chorava. Por dentro. Na alma.
E aí até congelei por um segundo,
não dois,
não três,
mas um, só um segundo, um segundinho apenas,
porque havia pressa (muita pressa)
para que a alma continuasse derretendo.
Não derretendo de chorar, por dentro, mas derretendo por causa da descoberta de que esta nunca foi a história de
como
eu
o
queria.
Essa sempre foi a história de
como
nós
nos
queríamos;
não uma vez,
nem duas,
nem três,
nem mesmo quatro,
mas todas.
E assim continuará sendo enquanto existir minha alma. Mesmo em estado metafórico de fusão.
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